
Os juros subiram. O mercado imobiliário não ligou.
Mesmo com financiamentos acima de 11% ao ano e Selic em 14,5%, lançamentos seguem aquecidos e construtoras reinventam a forma de vender imóveis em...

Mesmo com a Selic em 14%, as vendas continuam crescendo. Entender essa aparente contradição ajuda a mostrar por que olhar apenas para os juros pode fazer o comprador perder boas oportunidades.
A lógica parece simples: juros altos deveriam afastar compradores e esfriar o mercado imobiliário. Só que os números contam outra história. Mesmo com a Selic em 14% ao ano, as vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Foram 113.676 unidades comercializadas em 221 cidades pesquisadas pela CBIC e pela Brain Inteligência Estratégica. A intenção de compra também chegou a 52%.
O crédito imobiliário segue na mesma direção. A Abecip revisou sua projeção para 2026 e agora estima R$ 411 bilhões em concessões, crescimento de 25% no ano. No primeiro semestre, foram R$ 180,9 bilhões, 23% acima do mesmo período de 2025.
Então, se o dinheiro continua caro, por que tanta gente está comprando? Porque a Selic influencia o mercado, mas não explica o mercado inteiro. Moradia continua sendo necessidade, investidores continuam buscando patrimônio e o setor encontrou maneiras de negociar mesmo em um cenário financeiro difícil. Talvez o erro esteja justamente em tentar resumir o mercado imobiliário a uma única taxa. E os próprios dados mostram que a demanda não desapareceu. Ela apenas mudou de forma, de faixa de preço e de estratégia de compra.
Se o financiamento bancário ficou mais caro, o comprador procurou outras portas. No mercado nacional, o Minha Casa Minha Vida respondeu por 58% dos lançamentos no segundo trimestre de 2026, segundo a CBIC. Fora desse segmento, incorporadoras também passaram a competir não apenas pelo produto, mas pelas condições de pagamento.
Em Brusque, isso é bastante visível nos lançamentos. Entrada parcelada, pagamentos mensais durante a obra, reforços programados e prazos mais longos permitem que parte do valor seja paga diretamente à construtora antes da entrega. Comprar um imóvel e financiar um imóvel não são exatamente a mesma decisão, embora muitas vezes sejam tratados como sinônimos.
Esse modelo ajuda a entender por que tantos projetos continuam encontrando compradores mesmo com juros elevados. O mercado não ficou parado esperando uma decisão do Banco Central. Ele se adaptou. Para quem compra na planta, existe ainda tempo entre a assinatura do contrato e a entrega das chaves. O cenário financeiro naquele momento poderá ser melhor ou pior, mas a decisão de hoje pode ser tomada olhando também para preço, condição comercial e potencial do imóvel, não apenas para a Selic.
Esperar os juros caírem parece uma decisão óbvia. O problema é que o mercado não congela enquanto isso acontece. Se o crédito ficar mais barato, mais compradores podem voltar à disputa, o poder de negociação pode diminuir e determinados imóveis podem chegar a esse novo cenário custando mais. O melhor momento financeiro e o melhor momento imobiliário nem sempre aparecem juntos.
Existe ainda o aluguel. Parte das famílias quer sair dele, mas outra parcela continuará alugando por diferentes motivos. Isso mantém demanda para quem compra pensando em renda. O investidor que adquire um apartamento na planta hoje pode aproveitar o prazo da construtora para formar patrimônio e, depois da entrega, colocar o imóvel para locação. A receita não deve ser tratada como garantia de pagamento da parcela, mas pode contribuir para o fluxo financeiro do investimento.
Por isso, esperar tem custo. São meses ou anos pagando aluguel, deixando de formar patrimônio ou adiando uma oportunidade. A pergunta talvez não seja quando os juros vão baixar, mas se o imóvel, o preço e a condição que fazem sentido hoje ainda estarão disponíveis quando isso acontecer. Investimento imobiliário não se decide por calendário. Decide-se analisando o negócio inteiro.
Veja os lançamentos em Brusque
Por Arthur Baron