Brusque está pronta para crescer?

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Brusque está pronta para crescer?

Brusque está pronta para crescer?

31 de agosto de 2026

Estudo aponta aumento populacional e déficit habitacional crescente, revelando que o futuro da cidade depende não apenas de novos imóveis, mas de estratégias que equilibrem desenvolvimento e acesso à moradia

Uma cidade que não para de crescer

Brusque vive um movimento de crescimento que já não é apenas percepção de quem enfrenta o trânsito, observa novas obras ou acompanha a expansão dos bairros. Segundo diagnóstico apresentado pelo Instituto DEL, pela FACISC e pela Prefeitura de Brusque, o município poderá ultrapassar 260 mil habitantes até 2050, conforme matéria publicada pelo jornal O Município. Em 1970, a cidade tinha cerca de 35,2 mil moradores, o que mostra que sua população praticamente quadruplicou em pouco mais de cinco décadas.O avanço mais recente também chama atenção. Entre 2017 e 2022, aproximadamente 14 mil pessoas migraram para Brusque. Esse movimento fortalece o comércio, a indústria e os serviços, mas também aumenta a pressão sobre mobilidade, infraestrutura pública e oferta de moradia. Portanto, não estamos falando apenas de uma previsão distante para 2050. O crescimento já acontece e pode ser percebido no cotidiano.Quando uma cidade recebe novos moradores, empregos e empresas, o mercado imobiliário sente rapidamente. Cresce a procura por casas, apartamentos, terrenos e loteamentos, mas também aumenta a responsabilidade de planejar onde e como essa expansão acontecerá.

O desafio não é apenas construir mais

Crescer é positivo, mas o estudo revela um desafio que não pode ser escondido atrás das novas fachadas. Brusque possui atualmente um déficit habitacional estimado em 4.660 domicílios. Mantidas as condições atuais de oferta e acesso à moradia, esse número poderá chegar a 7.815 nas próximas décadas, segundo o diagnóstico divulgado pelo Instituto DEL e reproduzido pelo jornal O Município.O ponto mais importante está na composição desse déficit. Cerca de 77,6% correspondem ao comprometimento excessivo da renda das famílias com aluguel. Isso significa que muitas pessoas possuem um teto, mas pagam por ele um valor que desequilibra o orçamento. O levantamento também considera coabitação familiar, excesso de moradores em imóveis alugados e habitações precárias. Portanto, não se trata simplesmente de construir 7,8 mil casas novas e considerar o problema resolvido.A dificuldade de morar adequadamente também interfere na economia. Trabalhadores podem recusar oportunidades, trocar de emprego ou deixar a cidade porque não encontram uma moradia compatível com sua renda. O desafio de Brusque é ampliar a oferta, diversificar os produtos e aproximar o preço dos imóveis da realidade de quem ajuda a cidade a crescer.

Oportunidade exige estratégia e responsabilidade

Esse cenário transforma a habitação em oportunidade econômica, mas exige responsabilidade. Entre 2006 e 2025, o número de empresas da construção civil em Brusque passou de 204 para 1.020, enquanto os empregos formais do setor cresceram de 808 para 2.418, segundo o estudo divulgado pelo jornal O Município. A simulação indica ainda que R$ 25 milhões aplicados na construção de 100 moradias poderiam movimentar aproximadamente R$ 45 milhões na economia. Assim, cada R$ 1 investido em habitação teria potencial para gerar cerca de R$ 1,80.Os números mostram espaço para imóveis, terrenos e novos projetos, mas não justificam comprar qualquer produto apenas porque Brusque está crescendo. É necessário avaliar localização, público, preço, forma de pagamento, liquidez e capacidade de entrega da construtora. Crescimento populacional não corrige uma escolha ruim.É justamente nessa leitura que atuo como especialista. Meu trabalho é cruzar os dados da cidade com cada oportunidade, identificar riscos e ajudar o investidor a se posicionar com estratégia. Investir com responsabilidade não é seguir a multidão. É escolher um imóvel capaz de atender uma demanda real e transformar o crescimento de Brusque em patrimônio consistente.

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Por Arthur Baron

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